A falta que a falta faz

Há alguns anos atrás eu perdi o meu avô, que era uma das - senão a mais - pessoas mais importantes da minha vida, não lembro muito bem a idade que eu tinha, mas acredito que eu tinha sete anos de idade e mesmo tão novo eu já sabia a importância dele em minha vida. Sabe o porto seguro que a gente sempre recorre quando não sabe mais o que fazer? Então… o meu vô Adolfo era o meu porto seguro, com ele eu sempre me sentia bem, ele sabia me fazer bem e nem precisava se esforçar.

Anos se passaram e eu perco um primo em um acidente terrível de moto, eu não era muito ligado a ele, mas o amava muito, afinal ele era um sangue do meu sangue e eu gostava muito dele, pois ele era muito brincalhão. Sempre que a gente se encontrava rendia boas gargalhadas, pra mim, pra ele e pra mais quem estivesse por perto.
Não fui ao velório, não gosto dessas coisas, preferi ficar em casa com as outras pessoas da família que não participariam do velório e me poupar dos choros e todo aquele clima que eu imagino que aconteça em velórios. Não adianto de nada, fiquei em casa e chorei feito um bebê, não chorava assim desde a perda do meu avô e não estava acreditando que isso estava acontecendo de novo. Perguntei a Deus o motivo dele tirar pessoas tão queridas de perto de mim, mas até hoje não obtive a resposta.

Mais alguns anos se passaram, dois ou três, e mais um primo deixa de fazer parte do meu dia-a-dia. Mesmo nome que o outro, mesmo tipo de acidente. Quando a minha mãe me contou eu perguntei ‘Você tá brincando, né?’, só podia ser brincadeira, pelo menos assim eu queria que fosse. Mas eram sete e pouca da manhã, minha mãe não iria brincar com uma coisa dessas, principalmente logo de manhã e além do mais ela não é atriz para que me desse a trágica notícia com os olhos cheios de lágrimas.
Depois que a verdade veio a tona, o sofrimento das duas perdas anteriores vem a tona novamente, é claro que já havia acontecido outras perdas próximas a mim, mas essas foram as que mais me chocaram.

Dizem por aí que o tempo é o melhor remédio para tudo, mas não é verdade. Se fosse verdade eu não me emocionaria tanto e sentiria que falta um pedaço de mim toda vez que eu visse em um filme ou na vida real mesmo quando alguém perde um parente, mas isso acontece, hoje mesmo aconteceu, duas vezes. A primeira foi enquanto eu assistia Pequena Miss Sunshine e a segunda foi assistindo Na Trilha da Fama, isso vem acontecendo sempre, seja assistindo filme, novela, desenho animado ou quando alguém me conta uma história que me faça lembrar disso tudo.

É, a perda não é uma coisa com que eu lido com facilidade, espero que um dia eu consiga, mas enquanto isso não acontece eu continuarei sentindo esse aperto no coração, não reclamo dele não, até porque o que eu sinto é por pessoas que me fizeram muito feliz.

Isso foi um desabafo, mal escrito, mas feito com muito sentimento.
Boa noite.

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3 comentários em “A falta que a falta faz”

  1. Pa Says:

    Eu também não sei lidar com perdas, e acho que demoro muito tempo pra compreendê-las direito, doi assim quando os meus dois avôs morreram, no primeiro, eu demorei quase dois anos pra conseguir pensar nele de novo e chorar por tudo o que tinha acontecido. O segundo foi “rápido”, algumas semanas.
    Acho que talvez meu sub-consciente pensa que se eu não choro por eles, é como se eles não tivessem ido embora realmente.
    Felizmente essas foram as minhas únicas perdas realmente próximas, eu já sofro absurdos em imaginar que posso me distanciar das pessoas que eu gosto, por mais que às vezes seja eu mesma a causadora…

    Te amo, e eu vou sempre estar aqui com você : )

  2. Alice Says:

    É triste a perda mesmo, mas se esse sentimento ainda vive em você deixe ele como está, que um dia você saberá lidar com ele!

  3. ph Says:

    Esse é um post difícil de comentar, mas é claro que eu não podia deixar a oportunidade passar. Eu realmente sinto muito pelo que aconteceu, mas é uma coisa que a gente precisa aprender a lidar. Uma hora ou outra todos nós vamos passar por uma perda significativa, e tudo que podemos fazer é chorar mesmo. Chore, não reprima seus sentimentos. E, do fundo do meu coração, desejo dias melhores à vc e sua familia.
    Grande abraço, e obrigado por comentar no meu blog.